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babidibupi

Alegria. Amigos. Família. Faculdade. Livros. Música. Viagens. Amores. Futilidades. Desabafos. Tudo e mais alguma coisa. Babidibupi!

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28
Abr15

Das ansiedades

Desde que me lembro que sempre fui uma pessoa nervosa e ansiosa. Acho que isto começou logo em bebé. Segundo a minha mãe, durante o meu primeiro ano passei as noites a chorar, não dormia nem por nada.

Quando cresci as coisas não foram melhorando, antes de entrar na escola morava com a minha avó e os meus pais iam lá passar o fim de semana. Lembro-me da aflição que sentia ao Domingo à tarde por antecipar a despida... Anos mais tarde tinha insónias crónicas, principalmente ao Domingo à noite, nunca percebi bem porquê. Todas as semanas ia bater à porta do quarto dos meus pais para lhe pedir que um dos dois viesse dormir comigo ou para me deixarem dormir com eles...

Quando fui para o sétimo ano calhei numa "daquelas" turmas...

Eu era a marrona, a enciclopédia, que tirava cincos a matemática e lia livros que não eram pedidos para português enquanto que a maior parte dos meus colegas já tinha chumbado duas ou três vezes e só andava na escola para os pais não perderem o abono de família. Nessa altura soube o que era bulling na pele e os meus pais puseram-me num psicólogo. Eu odiava aquilo (só fazia com que eu fosse ainda mais esquisita, mesmo que ninguém soubesse) de tal modo que acho que bloqueei aquelas memórias porque eu não me consigo lembrar das nossas conversas (e ainda andei lá um ano). A única coisa que eu me lembro é de uma das técnicas de respiração que o psicólogo me ensinou que ainda vou utilizando de vez em quando: inspirar e encolher a barriga, expirar e crescer a barriga. Mas as coisas foram melhorando, fiz amigos, cresci e fiquei mais forte. A ansiedade voltou para os exames, altura em que descobri os ansiolíticos. Houve umas fases na minha vida, principalmente enquanto estudava para os exames nacionais do 12º e durante a maior parte do meu 3º ano da faculdade, em que só adormecia depois de tomar um Valdispert. Por incrível que pareça, quando fui para  a faculdade e quando fui de erasmus não tive problemas de ansiedade por aí além, apenas o normal para qualquer pessoa...

Apesar de todas as minhas ansiedades, só me lembro de ter tido um ataque de pânico na vida: quando fiquei presa num elevador. Naquele momento vi a morte à minha frente, eu sei que é estúpido mas eu acreditei que ia morrer, não conseguia respirar e desmaiei no chão. Ainda hoje, os meus amigos que estavam lá comigo e que o fizeram parar com as suas brincadeiras parvas gozam comigo e com a situação

Mas agora as ansiedades voltaram em força. Primeiro foi a tese, depois as respostas das entrevistas e finalmente o "I got a job!!!" (confetis, confetis!). Não me interpretem mal, eu estou contentíssima com isto. É a melhor das oportunidades e é a função que eu queria (vamos ver se daqui a 6 meses ainda é a que quero). Estou mesmo muito contente com isto! O problema é outro: vou ter que passar a fazer 90 km por dia, sozinha, metade em auto-estrada, metade em cidade. É aqui que as minhas ansiedades entram. Já me estou a imaginar a espetar-me e a morrer, já estou a imaginar alguém a espetar-se em mim, eu a bater no carro da frente no transito, o carro de trás bater em mim... E não pensem que só penso mal com o carro em andamento, não. Também morro de medo que alguém me bater no carro quando estiver estacionado, que mo roubem, que mo vandalizem. Estas coisas todas e mais algumas. É estúpido eu sei, muito estúpido. Eu sei conduzir e sei que sei conduzir mas tenho medo. É como andar de elevador: eu ando nele (não em todos) mas tenho medo. E desde a semana passada (quando soube a boa nova) que não consigo respirar em condições, não como e só me apetece chorar quando alguém me diz alguma coisa sobre o assunto. Ninguém me percebe (nem eu própria às vezes). Mas ainda tenho (quase) uma semana até segunda, eu ainda vou conseguir superar o medo. Só tenho que acreditar que vou conseguir superar o medo...

 

 

 

PS: Tenho 654566 mil desafios pendentes, mas ando sem tempo... Vou tentar dar cabo deles até ao final da semana.

 

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